Atuação das lideranças femininas nas negociações coletivas é tema de Seminário promovido pela CNTRV

Atividade reuniu mulheres e homens de 4 regiões do país

              Com participação de mulheres e homens, dirigentes dos sindicatos filiados à CNTRV das regiões nordeste, sudeste, centro oeste e sul, o Seminário denominado “Direitos das Mulheres e o Futuro do Trabalho”, realizado no dia 4 de abril na cidade de São Paulo, promoveu o debate sobre a participação das mulheres nas negociações coletivas feitas pelos sindicatos. A questão da saúde das trabalhadoras, especialmente após a onda de retrocessos trazida pela reforma trabalhista, também foi tema do evento. “Esse debate é muito importante para esse momento, sobretudo sob o ponto de vista de enfrentamento da conjuntura política e econômica que o Brasil e a América Latina, de forma particular, atravessam. Fortalecer a organização das mulheres e promover a participação feminina nas negociações coletivas têm sido temas constantemente abordados pelo Solidarity Center em nossos projetos, pois a desigualdade de gênero nos locais de trabalho é algo que afeta muito as mulheres”, avaliou Jana Silverman, responsável pelos projeto do Solidarity Center da AFL-CIO no Brasil e Paraguai.

                O evento fez parte de um projeto desenvolvido pela CNTRV, em parceria com o Solidarity Center da AFL-CIO e Instituto C&A que pela primeira vez no Brasil desenvolve o tema “direitos humanos e igualdade de gênero” em parceria com uma entidade sindical. “Estamos muito contentes com essa parceria e temos certeza que ela será exitosa”, disse Mariana Xavier que representa o Instituto no projeto.

Mariana Xavier

Mariana Xavier

“É preciso envolver as mulheres no processo de negociação coletiva”

                A afirmação veio da economista Marilane Teixeira que falou da importância da participação feminina nas mesas de negociação para que acordos e convenções contemplem pautas específicas das mulheres. “É fato que as negociações feitas pelos homens são menos ou nenhum pouco abrangentes no que se refere à proteção dos direitos das mulheres e promoção da igualde gênero”, informou a economista.

Marilane Teixeira

Marilane Teixeira

Formação e organização

                Cida Trajano, presidenta da CNTRV, chamou atenção para a necessidade de formar e organizar as mulheres sindicalistas para atuar nas mesas de negociação coletiva ao mesmo tempo em que o debate sobre igualdade de gênero no movimento sindical precisa avançar. “Precisamos  formar nossa militância feminina para a atuação na negociação coletiva com olhar voltado para igualde de gênero e garantia dos direitos das mulheres. Direitos constitucionais como auxílio creche, amamentação e doenças ocupacionais, por exemplo, são frequentemente negados pelas empresas e existe pouca ação sindical para evitar tais fatos”, ressaltou a sindicalista que reforçou a importância dos homens sindicalistas estarem sensíveis às questões de gênero.

Cida Trajano

Cida Trajano

Reforma da Previdência

                A pesquisadora da Fundacentro, Maria Maeno, explicou as principais mudanças contidas na  PEC 06/2019 e os impactos de propostas como idade mínima, tempo de contribuição e redução do valor do BPC, para as trabalhadoras. “As mulheres vivem mais que os homens, contudo essa sobrevida mantém um alto índice de incapacidade”, explicou a especialista que apontou dados que revelam diferença na expectativa de vida de acordo com a região do país e até mesmo das grandes cidades. “As pessoas vivem menos no nordeste e nas periferias das metrópoles. A desigualdade social afeta a vida e determina a morte das pessoas e isso deve ser considerado pela Previdência Pública”, afirma.

Maria Maeno

Maria Maeno

Diálogo com a classe trabalhadora

                Maeno chamou atenção dos participantes do Seminário para a abordagem adequada no debate sobre a reforma da Previdência com a população. “As pessoas pensam somente na aposentadoria, contudo a Previdência é muito mais que isso. Precisamos conquistar a opinião dos jovens trabalhadores que se negam em debater a reforma dizendo que aposentadoria não é mais para eles. Contudo, a reforma atinge também direitos como seguro acidente de trabalho, auxílio doença, licença maternidade, entre outros. Não é improvável que aos poucos tudo isso se transforme em seguros adicionais privados,  afetando ainda mais o orçamento e a renda da população trabalhadora e prejudicamento especialmente as mulheres”.

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