“Indústria de calçados é a que menos sente impacto da crise”, afirma presidente da Abicalçados

Heitor Klein afirma crescimento do setor em 2017, mas patrões endurecem nas negociações salariais

 

                Em todo o país, muitos sindicatos do setor de calçados com data base no primeiro semestre enfrentam dificuldades nas negociações da Campanha Salarial. Com argumentos relacionados à crise financeira, os negociadores patronais travam a pauta dos trabalhadores e tentam imprimir retrocessos nas convenções e acordos coletivos. Contudo, uma matéria repercutida no site oficial da Abicalçados, entidade patronal do setor, desmente os argumentos de muitos sindicatos patronais.

Segundo Heitor Klein, presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), “de uma maneira geral, a indústria de calçados, se comparada com a indústria de transformação, é a que menos vem sentindo os efeitos da crise, tendo registrado incremento nas vendas internas e externas nos primeiros meses do ano”.

Klein afirma que entre janeiro e abril de 2017, as vendas no varejo aumentaram 6,3% no comparativo com igual período do ano passado, enquanto as exportações aumentaram 20% em receitas entre janeiro e maio no mesmo comparativo.

 

Francal 2017

O presidente da Francal, Jamil Abdala relatou em matérias publicadas em sites corporativos e imprensa aberta que “a Feira, realizada de 2 a 5 de julho, na cidade de São Paulo,  atendeu as expectativas para dar continuidade à recuperação do setor”. Segundo ele, a indústria e o varejo de calçados são um exemplo de setor que está sabendo aproveitar as oportunidades oferecidas pela melhora do cenário económico”.

 

Negociações salariais

Para a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores/as do Ramo Vestuário da CUT (CNTRV), Cida Trajano, os patrões estão se aproveitando de um cenário de instabilidade política e econômica para tentar retirar direitos. “Não há razão para retrocessos nos Acordos e Convenções Coletivas. O que se percebe é um aproveitamento da conjuntura para aumentar a margem de lucros e isso as direções sindicais e os trabalhadores não devem permitir”, avalia.

José Carlos Guedes, presidente da Federação dos Trabalhadores Coureiros, Calçadistas e Vesturistas do Brasil (Fetracovest) alerta que os argumentos dos “patrões do calçado” para retirar direitos e achatar os salários são os mesmos de sempre. “Mesmo com a desoneração da folha e outras medidas para o crescimento do setor, a choradeira sempre foi constante”.

 

Região sul

Na região sul do país, a campanha salarial do setor já teve início. “As expectativas são grandes em relação às conquistas para nossa classe, pois sempre estamos lutando para que o melhor seja feito. Desde a saúde no trabalho, alimentação, licença a maternidade, auxílio creche, estudante, entre outros, estaremos buscando e exigindo da patronal o INPC mais aumento real, recuperando assim as perdas de 2016”, aponta João Batista Xavier, presidente da Federação Democrática dos Sapateiros do RS.

 

Norte e nordeste

José Mandu, presidente da Federação dos Trabalhadores Vestuários do Norte Nordeste, destaca a importância da interação dos sindicatos frente às Campanhas Salariais. “Historicamente os salários nestas regiões sempre foram inferiores aos do sul e sudeste, mas esta realidade tem mudado aos poucos, especialmente nas grandes fábricas. Uma ação importante para o avanço de nossas convenções e acordos tem sido a unificação da Campanha Salarial”, conta.

 

Dados do setor em 2016 – Fonte: Abicalçados
Empresas: 7,7 mil
Produção: 954 milhões de pares
Exportação: 125,6 milhões de pares
Nível de uso da capacidade instalada: 72,1%
Consumo interno: 851,2 milhões de pares
Empregos diretos: 286,7 mil postos

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